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Angola e suas cidades
é
o tema desta página. Presto assim uma singela homenagem àquela
terra maravilhosa que nos viu nascer, crescer, alinhavar
sonhos, só para os ver fenecer mais tarde, mas, ainda assim, uma terra imorredoura
em nossas memórias.
Os portugueses deixaram sua marca na arquitetura das cidades
angolanas. Do colonial ao moderno, vários estilos poderão ser apreciados nas fotos.
A
maioria , aqui publicadas, datam de uma época anterior à destruição causada
pela guerra. Nelas se pode apreciar o portentoso legado deixado naquelas
paragens. Desde já agradeço os amigos - cibernautas que autorizaram a publicação das
mesmas. Coloco-as para que os leitores possam verificar as belezas naturais de um país
que a guerra destruiu aos poucos mas de uma maneira avassaladora. Julgue você
mesmo!
Neste projeto, contei com a colaboração da Aida Maria
Saiago que gentilmente acedeu a desenhar a página de Benguela, sua terra
natal, incluindo os títulos e texto principal. Quem melhor para nos fazer
sonhar com a terra das acácias rubras? Obrigado, Aida Maria!
Você, angolano ou português que acaba de entrar
neste espaço, se tiver fotos de sua cidade, envie para muhuila@yahoo.com, pois terei o prazer enorme de publicá-las, enriquecendo assim o
acervo.
Desde já o meu obrigado!
Guerra
não justifica tudo o que não se fez em 25 anos
Reginaldo
Silva, correspondente da BBC em Luanda
Definitivamente a guerra não pode justificar grande parte das coisas, sobretudo no plano social, que
deveriam ter sido feitas e não o foram durante estes primeiros 25 anos da independência angolana.
Como, por exemplo, pôr água nas torneiras em Luanda ou em Lândana, mais lá para o norte em Cabinda, onde os bilhões de dólares que o seu off-shore
petrolífero já conseguiu produzir não foram suficientes para fazer chegar de forma canalizada o "precioso líquido" a todos os seus habitantes.
O drama dos angolanos é tão grande e tão complexo que até a água, que abundantemente lhes sobra na natureza, passou a designar-se por "precioso
líquido", a traduzir antes de mais nada os resultados da ação do
governo, após o primeiro quarto de século de uma independência que ainda não
conseguir provar a sua "utilidade".
A independência deveria em princípio
dar resposta aos problemas criados por cinco séculos de colonialismo que certamente empobreceram e humilharam os
angolanos, mas não os atiraram para miseráveis campos de deslocados de guerra, que são neste momento o principal cartão de visitas de Angola.
Visitar Angola sem ir a um destes campos de desespero e morte lenta, onde atualmente sobrevivem pelo menos 2 milhões de pessoas, é um pouco ir a Roma e
não ver o papa.
É nesta população forçada pela guerra a abandonar as suas terras de origem que se pode observar o lado mais dramático do dia a dia dos angolanos.
Vinte e cinco anos depois de Angola ter surgido no mundo pela mão do MPLA de Agostinho Neto como "uma república popular, uma pátria de trabalhadores e
uma trincheira firme da revolução em África", quem está, nos dias que
passam, a provar que muita coisa que não foi feita poderia ter sido, é o próprio
governo.
Lição
Quando bem gerido o dinheiro chega sempre para muito mais - é a grande lição destes 25 anos de independência, com tudo quanto nos é dado a ver ao nosso
redor.
É exatamente nessa direção que aponta a gigantesca campanha de promoção da imagem governamental
junto da população, com um programa feérico de obras e mais obras, inaugurações e mais inaugurações, a tal ponto que o trânsito em
Luanda corre o risco de entrar em colapso.
Em 25 anos de independência nunca se tinha visto tanta obra social a ser projetada e inaugurada pelo governo do MPLA, com o presidente Eduardo dos
Santos a fazer questão de cortar a fita da maior parte delas e com as pessoas meio perplexas e a interrogarem-se sobre as razões deste tardio mas frenético
despertar.
Mais vale tarde do que nunca, respondem os "espontâneos" admiradores
do regime, com toda a razão que lhes assiste, embora no fundo coloquem a mesma dúvida. Só agora por quê?
Os empedernidos adversários do governo avançaram de imediato com a tese eleitoralista, que parece ter como base o conhecimento que possuem do
conteúdo da própria estratégia do partido no poder aprovada recentemente.
O presidente Eduardo dos Santos admitiu como provável a realização de eleições gerais no país, dentro de um ano.
Com a inauguração da primeira fase de um novo sistema de adução e tratamento
de água construído pela empresa brasileira Odebrecht, em Luanda centenas de milhares de pessoas vão voltar a ter água canalizada.
Elas correm, entretanto, o risco virem a ser "afogadas" pelas mil e
uma rupturas de uma rede apodrecida que esteve adormecida tanto tempo.
Eleições
Definitivamente, só mesmo com eleições de quatro em quatro anos, os angolanos
com o seu voto poderão ter algum controle sobre as riquezas nacionais.
Imagine-se só os problemas que já teriam sido resolvidos em Angola se neste 25º aniversário da independência fôssemos convidados a ir pela terceira vez
às urnas escolher alguns políticos para gerirem o seu dinheiro e o nosso futuro?
Vinte e cinco anos depois é tempo para o governo apresentar os resultados
palpáveis da sua gestão num país, onde de fato são difíceis de encontrar à
vista desarmada as chamadas grandes obras do regime, como palácios, portos, aeroportos, auto-estradas, pontes, universidades, hospitais, túneis, teatros,
complexos protocolares, estádios desportivos, barragens hidroeléctricas,
estações de tratamento de água, bairros populares e por aí adiante.
Não se está a querer dizer que nada foi feito ou a passar ao lado das sistemáticas destruições da oposição armada liderada por Jonas Savimbi, que
é igualmente responsável pela situação de adiamento em que se encontra Angola.
De uma forma geral todos estão convencidos que, com todo o dinheiro que já passou pelos cofres públicos de Angola, são sem dúvida demasiados modestos os
resultados da sua aplicação, a fazer lembrar-nos uma vez mais a imagem do triângulo das Bermudas, que de fato tem muito a ver com Angola.
Por exemplo, fica difícil compreender que em 25 anos de independência o regime do MPLA não tenha sequer conseguido construir um novo palácio para
albergar o próprio governo ou ainda uma sede para receber com a dignidade que merece a Assembléia Nacional.
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