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Despedida
Quis saber do medo
De perder-te
E vi
No longínquo deste desterro
A imprudência
Do gesto!
Quis voar de angústia
Na ânsia de voltar
E só li
No rosto covarde
A inconstância da vida
E a lição sublime
Da solidão cruel…
Quis ter a teus pés
Meu mundo
E que
Jamais
No âmago de nossas veias
Deixasse de correr
A seiva da nossa terra
Perdida
E abandonada
No amargo cântico
Da despedida.
Quis crescer no musgo
Dos muros
O verde do nosso amor e,
Na súplica de nossas carícias
Vi murchar
A flor de laranjeira
Que coroaria
Tua inocência.
Santos 13/09/76.
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Por
onde andas…
Quis saber de nós
Na espiral de fumo
De mais um cigarro
Consumido na ausência
De tua voz.
Quis saber de nós
Em cada peça
Do tabuleiro de xadrez
Testemunhas mudas
Dum jogo sem fim.
Quis saber de nós
Nas pétalas da rosa
Murcha e abandonada,
Pisada na rua.
Quis saber de nós
Em cada madrugada fria,
Nas longas noites de vigília,
Nos dias às avessas.
Quis saber de nós
No sussurro do mar
No calor do sol,
Na carícia do vento,
No soluço da lua.
Quis saber de nós,
Do nosso amor,
Da nossa primavera
Quis saber de ti,
De mim
E não me dei
A achar-nos.
Longe e perto ainda nos revejo,
Eternamente juntos
Em cada dia
Em que construo
A tua/nossa imagem
Renovada na mística
Do meu sonho
Santos, 13/09/76.
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-
- Súplica
-
- Não!
- Não
somente o Amor…
- Também
a súplica
- Também
a carícia
- Também
o soluço,
- A
agonia dos vivos,
- O
lento esmorecer dos caídos…
- E
ainda
- O
vomito
- Ainda
o desespero
- Ainda
a urgência
- Ainda
- O
apego à vida
- Dos
traídos
- Das
crianças nuas
- Esqueléticas
- Biafras
de carne e osso
- Sulcando
favelas, guetos, muceques
- Das
novas iorques, são paulos, rios, luandas
- De
todo o mundo…
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Mãe África
- E depois,
- Não mais foi
como antes…
- Roubaram minha
alegria de viver.
- Foi só a dor que
nos restou
- Na despedida.
- E tu,
- Mãe África,
- Ficaste na distância…
- O grito secou na
garganta,
- A liberdade
perdeu-se no gesto,
- A vida ceifou-se
no ato,
- A terra semeou-se
com sangue!
- O mar te sepultou
o corpo
- E, exangue
respiras
- Na negra solidão
de tuas noites,
- Mais terríveis…
- Mais escuras…
- Mais
negras…
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