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Minha Pátria é a minha língua  F.Pessoa


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"Voltar é uma ilusão, estamos sempre indo" 

Claudio Marzo, ator


"Não decore passos, aprenda o caminho"

Klaus Vianna, autor e ator


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Manual da Redação Dicionario on line

 

Despedida

Quis saber do medo
De perder-te
E vi
No longínquo deste desterro
A imprudência
Do gesto!
Quis voar de angústia
Na ânsia de voltar
E só li
No rosto covarde
A inconstância da vida
E a lição sublime
Da solidão cruel…
Quis ter a teus pés
Meu mundo
E que
Jamais
No âmago de nossas veias
Deixasse de correr
A seiva da nossa terra
Perdida
E abandonada
No amargo cântico
Da despedida.
Quis crescer no musgo
Dos muros
O verde do nosso amor e,
Na súplica de nossas carícias
Vi murchar
A flor de laranjeira
Que coroaria
Tua inocência.

Santos 13/09/76.

 

 

 

 

Por onde andas…

Quis saber de nós
Na espiral de fumo
De mais um cigarro
Consumido na ausência
De tua voz.
Quis saber de nós
Em cada peça
Do tabuleiro de xadrez
Testemunhas mudas
Dum jogo sem fim.
Quis saber de nós
Nas pétalas da rosa
Murcha e abandonada,
Pisada na rua.
Quis saber de nós
Em cada madrugada fria,
Nas longas noites de vigília,
Nos dias às avessas.
Quis saber de nós
No sussurro do mar
No calor do sol,
Na carícia do vento,
No soluço da lua.
Quis saber de nós,
Do nosso amor,
Da nossa primavera
Quis saber de ti,
De mim
E não me dei
A achar-nos.
Longe e perto ainda nos revejo,
Eternamente juntos
Em cada dia
Em que construo
A tua/nossa imagem
Renovada na mística
Do meu sonho

Santos, 13/09/76.

 

                       

Súplica
 
Não!
Não somente o Amor…
Também a súplica
Também a carícia
Também o soluço,
A agonia dos vivos,
O lento esmorecer dos caídos…
E ainda
O vomito
Ainda o desespero
Ainda a urgência
Ainda
O apego à vida
Dos traídos
Das crianças nuas
Esqueléticas
Biafras de carne e osso
Sulcando favelas, guetos, muceques
Das novas iorques, são paulos, rios, luandas
De todo o mundo…

 

 

Mãe África

E depois,
Não mais foi como antes…
Roubaram minha alegria de viver.
Foi só a dor que nos restou
Na despedida.
E tu,
Mãe África,
Ficaste na distância…
O grito secou na garganta,
A liberdade perdeu-se no gesto,
A vida ceifou-se no ato,
A terra semeou-se com sangue!
O mar te sepultou o corpo
E, exangue respiras
Na negra solidão de tuas noites,
Mais terríveis…
Mais escuras…
Mais negras…

 

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